Hospital como laboratório: pesquisa etnográfica discute a formação médica na América Latina

Já está disponível o registro do conversatório internacional “El hospital es un gran laboratorio: Notas antropológicas sobre prácticas de enseñanza en un hospital universitario”, realizado pela Escola de Saúde Pública da Universidade do Chile em colaboração com a Universidade de Brasília.

Confira a reportagem completa e o link para o registro do encontro no portal da Universidade do Chile: https://saludpublica.uchile.cl/noticias/241347/miradas-criticas-desde-las-ciencias-sociales-en-el-quehacer-biomedico

O encontro reuniu pesquisadoras e pesquisadores interessados em refletir sobre os hospitais universitários como espaços de formação, aprendizagem e produção de conhecimento, discutindo os desafios éticos, afetivos e institucionais que atravessam a educação em saúde na América Latina.

A conferência principal foi ministrada pela antropóloga Soraya Fleischer (Universidade de Brasília), que apresentou resultados preliminares de uma pesquisa etnográfica iniciada em 2025 sobre práticas de ensino em um hospital universitário brasileiro. Com base em entrevistas com ex-diretores da instituição e observações participantes em setores como maternidade e patologia, a pesquisa propõe pensar o hospital como um grande laboratório, onde estudantes aprendem por meio da experiência cotidiana, do engajamento corporal e das relações estabelecidas no trabalho em saúde.

O debate também contou com a participação de Daniela Tonelli Manica (Unicamp), que chamou atenção para os dilemas éticos envolvidos no uso dos corpos de pacientes dos sistemas públicos para fins de ensino e pesquisa. Outras intervenções abordaram as transformações recentes na formação médica, os impactos da precarização e das mudanças nos modelos de financiamento da saúde e da educação superior, além das dimensões afetivas que marcam a construção das trajetórias profissionais na biomedicina.

Ao aproximar antropologia, saúde pública e educação médica, o evento evidenciou como os processos de formação em saúde ultrapassam os espaços formais de ensino e envolvem experiências sensoriais, relações de poder, afetos e formas específicas de habitar os ambientes hospitalares.

 

 

Créditos da imagem: reportagem no portal da Universidade do Chile

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