Fabíola Rohden defende titularidade com tese “Hormônios e bisturis: promessas e armadilhas da perfeição” dia 10/06

No dia 10 de junho, quarta-feira, às 9h30, de forma híbrida, acontecerá a defesa de titularidade de Fabíola Rohden com a tese “Hormônios e bisturis: promessas e armadilhas da perfeição”.

A defesa será na Sala Enrique Padrós (IFCH, UFRGS), e online no link: https://mconf.ufrgs.br/webconf/promocao-titular-antropologia-ufrgs-profa-fabiola-rohden

Resumo: O trabalho analisa transformações corporais-subjetivas, por meio de cirurgias estéticas e uso de hormônios, que têm se tornado cada vez mais comuns entre mulheres cisgênero. A investigação envolveu diversas estratégias metodológicas, com ênfase na análise das redes sociais, literatura médica especializada, documentos oficiais e sites institucionais, material de imprensa, entrevistas com médicos/as e com mulheres interessadas nas práticas citadas, observação em congressos médicos, dentre outras. Em especial, destaca-se, por um lado, a cirurgia estética íntima, procedimento realizado nas genitálias de mulheres por cirurgiões/ãs plásticos/as, por meio dos bisturis. Por outro, o uso da testosterona para aumentar o desejo sexual em mulheres, empreendido por médicos/as de diferentes especialidades, mas com destaque para o envolvimento de ginecologistas e endocrinologistas. Cada uma destas práticas está ancorada em uma longa história de desenvolvimento de técnicas e produção de conhecimento específico, elaboração de diagnósticos e disponibilização de recursos clínicos. Nos dois casos, a busca por uma adequação corporal pode ser compreendida como expressão das escolhas ou da agência das mulheres que assumem esses projetos. Contudo, estas práticas também revelam como as normas sociais estão sendo reatualizadas nesses contextos. Nesta direção, as intervenções são analisadas considerando dois eixos centrais. O primeiro se refere à busca pelo aprimoramento de si promovida insistentemente no contexto contemporâneo. O segundo diz respeito à substancialização da diferença de gênero. Se pela lógica do aprimoramento é possível o investimento em recursos de transformação corporal que modificam um corpo original, supostamente ampliando suas capacidades, melhorando performances, acentuando características; pela lógica da substancialização da norma de gênero, isso precisa estar circunscrito a limites muitos bem definidos de masculinidade e feminilidade.

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