A chamada para submissão de resumos para os GTs da 35ª RBA está aberta até 20 de janeiro de 2026. A Reunião Brasileira de Antropologia, organizada pela Associação Brasileira de Antropologia, correrá entre os dias 13 e 17 de julho de 2026, na Universidade Federal de Goiás, em Goiania. Confira abaixo os GTs propostos pelas integrantes da RAFeCT:
GT 021 – Antropologia digital: debates teóricos, metodológicos, éticos e políticos
Coordenação: Carolina Parreiras (USP),Patricia Pereira Paveis (UFES)
Resumo: O objetivo deste GT é trazer discussões pertinentes à área da Antropologia Digital a partir de debates teóricos, metodológicos e éticos. Assim, o interesse está em trabalhos que, de algum modo, lidem com o digital – seja como campo, como contexto ou como ferramenta de pesquisa. Nos últimos anos, temos visto um crescente interesse por temáticas que envolvem a internet e as tecnologias digitais, que coincide tanto com a popularização de dispositivos como os smartphones, o crescimentos da conectividade no Brasil como a popularização de discussões como plataformização e inteligência artificial. Por este motivo, é necessário não deixar de lado o viés crítico e político presente no desenvolvimento e no uso destas tecnologias, marcadas por sua não neutralidade e pela opacidade. Neste sentido, convidamos trabalhos que discutam questão tais como (mas não apenas): plataformas digitais, etnografia digital e outras técnicas metodológicas, inteligência artificial, influencers, economia da atenção, big techs, ética para o digital, trabalho plataformizado, desinformação, violência digital, extrema-direita, redes sociais, histórias da internet, criptografia, segurança e privacidade; controle e vigilância, dentre outros.
GT 072 – Etnografias hospitalares
Coordenação: Soraya Fleischer (UNB),Marcia Reis Longhi (UFPB)
Resumo: A antropologia da saúde sempre esteve nas instituições de saúde. Em geral, estas instituições têm sido descritas como repletas de gates e gatekeepers que, depois de alguma negociação e autorização, permitem nossa entrada, circulação e permanência. Com frequência, estes espaços são mencionados instrumental e rapidamente nos capítulos ou seções metodológicos. Depois, os serviços de saúde oferecidos se tornam, sobretudo, o foco de atenção da disciplina. E muitas pesquisas priorizam os conteúdos das conversas e vivências ali dentro, enquanto as interpelações recebidas das próprias instituições de saúde figuram como curtas descrições, notas de rodapé ou sequer são mencionadas. O espaço hospitalar é desafio, é passagem, é contexto, mas também história, relações e gestão, bem como formação e produção científica também podem ser tomadas como temas de pesquisas antropológicas. Este GT deseja conhecer etnografias produzidas dentro e também sobre e com os diversos tipos e escalas de hospital. E se interessa por reunir papers sobre: a) Estratégias e desafios éticos, políticos e metodológicos de fazer pesquisas nos espaços hospitalares; b) Histórias de construção, institucionalização e memória destas instituições de saúde; c) Diálogos e ruídos entre serviços de saúde, de formação e de pesquisa que acontecem especialmente nos hospitais universitários; d) Participação da antropologia em programas de estágio, residência, projetos de pesquisa e extensão nessas instituições.
Coordenação: Fabiene Gama (UFRGS),Rosamaria Giatti Carneiro (UNB)
Resumo: Este grupo de trabalho visa reunir pesquisas antropológicas que abordem práticas artísticas em e com arquivos. No Brasil, diversas iniciativas têm revisitado arquivos – coloniais, contemporâneos, públicos e privados -, apresentando novas perguntas e perspectivas, assim como novas práticas discursivas e visuais para pensar o passado e imaginar o futuro. Vistos como espaços para construção de memórias, versões da história, justiças epistêmicas, processos de subjetivação e produção de conhecimento, os arquivos deixaram de ser vistos como meros repositórios de documentos e registros, e tornaram-se importantes locais de debate e de interesse para várias areas artísticas e acadêmicas. São espaços onde histórias são preservadas, mas também interpretadas, criadas e silenciadas; onde experiências são valorizadas, invisibilizadas e revisitadas. O processo de re-imaginar e reinterpretar arquivos têm trazido à luz histórias obliteradas das narrativas dominantes e acerca de si mesmo. Coleções e arquivos tornaram-se, assim, meios de resistência e disputa de poder — espaços onde se pode questionar uma história única e seus perigos. Diante disso, neste GT, desejamos explorar diferentes estratégias metodológicas de pesquisa e práticas artísticas em/com arquivos dedicadas a pensar os marcadores sociais, em especial gênero, geração e raça. Trabalhos que explorem tensões entre o visível e o invisível e novas perspectivas sobre espaços, estéticas, pessoas e histórias serão mais do que bem-vindos.
GT 079 – Gênero, gravidez e parto: tecnologias e políticas reprodutivas
Coordenação: Stephania Gonçalves Klujsza (UFF),Débora Allebrandt (UFAL)
Resumo: Dando continuidade as discussões iniciadas nos Colóquio da Rede Anthera, este GT busca reunir pesquisas que explorem etnograficamente as temáticas da gravidez e do parto, em interseção com as discussões sobre gênero, tecnologias e políticas reprodutivas. Visando contemplar a diversidade das experiências sociais relacionadas à reprodução, bem como as diferenças que lhes caracterizam a partir dos marcadores sociais. A partir da última década do séc XX, observa-se a ampliação do conjunto de temas abarcados pelas pesquisas antropológicas que tomam a gravidez e o parto como eventos-chave. As análises sobre justiça reprodutiva e direitos sexuais e reprodutivos, a humanização do parto, o desenvolvimento de tecnologias reprodutivas e seus efeitos, as políticas de assistência, os ativismos em torno das práticas de cuidado nas cenas de parto, os saberes tradicionais e a emergência de novos atores, a categoria violência obstétrica e seus desdobramentos e, mais recentemente, os contextos da epidemia do zika vírus e da pandemia de covid 19, evidenciam a relevância cultural e a dimensão política destes eventos e do próprio interesse temático. Neste GT, visamos dar continuidade a estes diálogos com ênfase nas práticas relativas aos corpos e seus agenciamentos em termos individuais/biográficos, coletivos ou institucionais. Também serão bem-vindas pesquisas que interroguem o lugar da própria antropologia e da prática etnográfica na produção e análise de tecnologias e políticas reprodutivas.

