Últimos dias! Submissões para os GTs da VI RAS até 01/02

A VI Reunião de Antropologia da Saúde (RAS) acontecerá entre 22 e 24 de abril de 2026, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. A chamada para submissão de resumo para os GTs está aberta até dia 01 de fevereiro, e você pode conferir todos os GTs disponíveis neste link. Veja abaixo os GTs coordenados por integrantes da RAFeCT:

 

GT 02: Antropologia do Diagnóstico: regimes de verdade e temporalidades na nomeação dos estados aflição e sofrimento

Coordenador(a): Waleska de Araujo Aureliano (UERJ),Fernando José Ciello (UFRR),Martha Cristina Nunes Moreira (FIOCRUZ)

Descrição: Este Grupo de Trabalho propõe reunir pesquisas que abordem as articulações entre diagnósticos em saúde e as múltiplas temporalidades que atravessam experiências de sofrimento. Consideramos os diagnósticos não como categorias fixas, mas como processos performativos que produzem realidades, orientam práticas e reconfiguram modos de existir. Tais processos se inscrevem em temporalidades complexas: o tempo vivido do corpo e dos sintomas, o tempo das doenças e o das esperas burocráticas, judiciais, científicas e terapêuticas, e os ritmos afetivos e morais que conformam trajetórias de cuidado. Interessa-nos explorar como categorias diagnósticas (ou sua ausência) multiplicam modos de manejar dores e aflições, organizando agenciamentos no presente, expectativas de futuro e relações com políticas, tecnologias e regimes de verdade sobre mente e corpo. Buscamos contribuições que ressaltem: a experiência de receber/conviver com determinados diagnósticos, assim como a ausência de diagnóstico para quadros de sofrimento físico e/ou mental; os modos como categorias diagnósticas (re)produzem práticas e conhecimentos sobre corpo/saúde/doença; as interações entre práticas diagnósticas, políticas e contextos sociais; as transformações em processos diagnósticos e seus efeitos na construção de prognósticos e identidades clínicas; análises relativas aos diagnósticos produzidos em epidemias/pandemias antigas e recentes (HIV/Aids, Zika, Covid-19, etc); estudos teóricos sobre categorias diagnósticas

 

GT 03: Classificações, escalas e métricas no campo da saúde e meio ambiente

Coordenador(a): Glaucia Maricato (UnB),Vitor Simonis Richter (COC/FIOCRUZ)

Descrição: A antropologia sempre se interessou por sistemas de classificação — embutidos na linguagem, no parentesco, nas definições sobre populações a serem contadas. Ela também operou classificações como chaves de leitura, por exemplo, nos conceitos de illness/disease. Ao direcionarmos o olhar para tais processos, interessa-nos refletir sobre o que subjaz às classificações e sobre os efeitos que produzem — políticos, sociais e de verdade/realidade – nas práticas de saúde e suas relações com mudanças climáticas. Buscamos trabalhos que discutam sistemas classificatórios que informam a produção de evidências científicas, a separação entre sujeitos-doenças-tratamentos e toda sorte de sistemas classificatórios que sejam tidos como “fatos dados da realidade”. Interessa-nos, em especial, pesquisas sobre a produção/manipulação/circulação de dados, métricas e escalas mediadas por tecnologias e infraestruturas de bancos de dados. Essas tecnologias têm despertado crescente interesse etnográfico por materializarem epidemias, pandemias e tecnologias de antecipação em biossegurança; por estruturarem projeções e modulações de mudanças climáticas; por informarem pesquisas e inovações na biomedicina; e por moldarem experiências afetivas de viver em um mundo pandêmico e em emergência climática. Classificar com a mediação de bancos de dados torna-se, assim, uma forma de fazer/agregar versões da realidade que implicam modos particulares de interrogar, relacionar e performar os mundos em transformação.

 

GT 04: Drogas, fármacos, psicoativos e psicodélicos: perspectivas, controvérsias e debates contemporâneos

Coordenador(a): Isabel Santana de Rose (UFSC),Rogerio Lopes Azize (IMS/UERJ)

Descrição: As fronteiras entre drogas, fármacos, psicoativos e psicodélicos, entre outras possíveis denominações, são fluidas e instáveis, assim como as próprias categorias são dinâmicas, contextuais e imprecisas. Nossa proposta é abordar essas substâncias em sua multiplicidade e complexidade, partindo de abordagens etnográficas, críticas e reflexivas. Pretendemos dialogar com debates e controvérsias contemporâneas envolvendo temas como medicalização, medicamentalização, farmaceuticalização, cuidado, políticas de drogas, processos de regulamentação, ensaios clínicos, indústria farmacêutica, mercados, patentes, repartição de benefícios, entre outros, bem como refletir sobre as contribuições da antropologia para analisar essas questões, em diálogo com discussões interdisciplinares no campo da saúde. Ressaltamos a importância de princípios básicos da antropologia da saúde, como a relativização da perspectiva biomédica e a relativização do enfoque na “substância em si” e em “balas mágicas” como soluções para problemas de saúde complexos. Estamos interessados/as em explorar o potencial da etnografia e da pesquisa qualitativa para abordar esses temas de maneira aprofundada e para fornecer subsídios para políticas públicas. Destacamos as dimensões políticas dessas questões e seus entrecruzamentos com debates amplos sobre raça, classe, gênero, acesso a medicamentos e tratamentos, bem como com as crises ambientais contemporâneas e seus desdobramentos.

 

GT 07: Especulações no campo da saúde: Desafios práticos, teóricos e políticos em tempos de urgências

Coordenador(a): Eugenia Brage (UNICAMP),Cíntia Liara Engel (UFG)

Descrição: O mundo, tal qual o conhecemos, não é mais o mesmo, lembra Bruno Latour ao destacar como o negacionismo climático organiza a política do presente. Debates críticos têm permitido borrar dicotomias que estruturam o pensamento moderno, buscando alternativas para agir diante das urgências. Discussões sobre o regime meio ambiental, o antropoceno, as relações entre organismos e ambiente e o excepcionalismo humano recolocam questões centrais para imaginar uma antropologia além dos determinismos biológicos e culturais (Ingold e Palsson, 2013), abrindo caminhos férteis para a Antropologia da Saúde. Diante das crises provocadas pela aceleração do consumo e pelos modos de produção que configuram o “presente espesso” (Haraway, 2019), torna-se imprescindível pensar e contar outras histórias. Nesse contexto, o exercício especulativo torna-se fundamental para imaginar outras humanidades, mundos e saúdes, criando linhas de fuga para relações mutuamente condicionantes. Esse movimento desestabiliza categorias, escapa de paradigmas vitimizantes e revela formas de insurgência cotidiana, mas sobretudo convida a imaginar, co criar e produzir mundos — worlding (Haraway, 2019). Este GT propõe um espaço de discussão sobre saúde em chave especulativa, entendendo a especulação como crítica do presente (Puig de la Bellacasa, 2017), acolheremos trabalhos que se envolvam com uma ou mais das questões: como imaginar mundos e devires biossociais a partir deste presente? Como fazer uma antropologia da saúde que se aproprie de forma cuidadosa dos nossos tempos? Como abordar as urgências atuais nas etnografias no campo da saúde?

 

GT 09: Ética em Pesquisa na Antropologia: nova lei, velhos debates, outras abordagens

Coordenador(a): Hully Guedes Falcão (Fiocruz),Rosana Maria Nascimento Castro Silva (UnB),Martinho Braga Batista e Silva (UERJ)

Descrição: A antropologia tem contribuído para as discussões sobre ética em pesquisa no Brasil desde o século XX. As especificidades da etnografia frente às chamadas “pesquisas qualitativas em saúde” foram amplamente abordadas nas últimas décadas, denunciando a ancoragem biomédica da regulação do sistema CEP/Conep. Além disso, conquistas significativas foram alcançadas no interior desta governança, tais como a Resolução CNS nº 510/2016, específica para ciências sociais e humanas. Mais recentemente, a promulgação da Lei 14.874/2024, que pretende regular as pesquisas envolvendo seres humanos em todas as áreas de conhecimento, nos coloca diante de outros desafios. Nosso objetivo é organizar um espaço de escuta, crítica e elaboração coletiva dessa nova mudança, além de refletir sobre questões éticas persistentes e emergentes da pesquisa antropológica. Não só a antropologia, como a própria etnologia, já destacava o caráter relacional e dialógico do trabalho de campo, considerando a diversidade de contextos, bem como as negociações e as condições para consentimento dos agentes presentes. Nesse sentido, esse GT acolherá propostas que abordem os seguintes temas: ética na pesquisa antropológica envolvendo os dilemas suscitados de diferentes campos; engajamentos teóricos envolvendo ética em pesquisa; ética e integridade científica; etnografias no sistema CEP/Conep; imbricações entre Estado, capital privado e regulamentação ética; assimetrias de poder no campo da governança ética.

 

GT 10: Etnografias hospitalares

Coordenador(a): Soraya Fleischer (UnB),Jaqueline Ferreira (IESC/UFRJ)

Descrição: Em tempos de emergências sanitárias e climáticas, instituições de saúde se apresentam como equipamentos essenciais. A antropologia da saúde sempre esteve em unidades básicas de saúde, clínicas, hemocentros, maternidades, ambulatórios públicos e privados. Em geral, estas instituições têm sido tomadas instrumentalmente e, depois de alguma negociação e autorização de tantos gates e gatekeepers, permitem entrada, circulação e permanência das pesquisadoras nos diferentes serviços e espaços. Nem sempre há atenção às instituições propriamente ditas. Além disso, muitas destas pesquisas priorizam os conteúdos das conversas e vivências ali dentro, enquanto as interpelações feitas com e recebidas das próprias instituições figuram como curtas descrições, notas de rodapé ou sequer são mencionadas. O espaço hospitalar é desafio, passagem e contexto, mas também história, atividade e gestão e ainda formação e ciência. Este GT deseja conhecer etnografias produzidas dentro e também sobre e com os diversos tipos e escalas destas instituições de saúde. Interessa-nos reunir papers que abordem os hospitais a partir de: a) Estratégias e desafios éticos, políticos e metodológicos; b) Histórias de construção, institucionalização e memória; c) Diálogos e ruídos entre serviços de saúde, de formação e de pesquisa especialmente nos hospitais universitários; d) Participação da antropologia em programas de estágio, residência, projetos de pesquisa e extensão nessas instituições.

 

GT 12: Gênero, reprodução e cuidado: tecnologias, políticas e justiça reprodutiva

Coordenador(a): Stephania Gonçalves Klujsza (UFF/UFRJ),Débora Allebrandt (UFAL)

Descrição: Dando continuidade às discussões dos Colóquios da Rede Anthera, este GT reúne pesquisas que explorem etnograficamente as múltiplas dimensões da reprodução, articulando gênero, tecnologias, cuidado e políticas reprodutivas. Adotamos uma perspectiva que reconhece a complexidade e a diversidade das experiências reprodutivas, profundamente marcadas por desigualdades estruturais. Observa-se a ampliação das pesquisas antropológicas sobre gravidez, parto e outras situações reprodutivas que ultrapassam o momento gestacional. As agendas de justiça reprodutiva e direitos sexuais e reprodutivos expandiram o horizonte analítico, incluindo debates sobre acesso desigual a tecnologias e serviços, autonomia corporal, criminalização de práticas, controle e vigilância sobre corpos específicos e implicações éticas e institucionais dos processos reprodutivos. O GT acolhe estudos sobre humanização do parto; políticas públicas; modelos de assistência; ativismos; aborto; violência obstétrica; experiências em epidemias; situações de vulnerabilidade; destituição do poder familiar; processos de regulação da fecundidade; entre outros. Ao ampliar o foco para diferentes momentos da vida reprodutiva, buscamos compreender como corpos, práticas e instituições se transformam mutuamente e refletir sobre o papel da antropologia nesse campo. Convidamos contribuições que analisem práticas, discursos e experiências fortalecendo o debate sobre gênero, reprodução e justiça social

 

GT 18: Tecnologias biomédicas e produção de saberes: perspectivas críticas sobre inovações em saúde

Coordenador(a): Fernanda Alzuguir (Iesc /Ufrj),Marcelle Schimitt (UFRGS),Marcos Castro Carvalho (UNIFESP)

Descrição: Propomos reunir pesquisas que reflitam criticamente sobre saúde e ciência e cujo foco sejam inovações biomédicas – novos medicamentos, substâncias terapêuticas, tecnologias reprodutivas, instrumentos diagnósticos, entre outros -, como são produzidas, circulam e ganham legitimidade social. A partir dos Estudos Sociais das Ciências e de epistemologias feministas, este Grupo de Trabalho agregará pesquisas que discutem como relações de gênero, raça, classe e sexualidade estão implicados nos processos de materialização dessas tecnologias, seus usos, efeitos e desdobramentos históricos, sociais, políticos e climáticos. Acolheremos trabalhos etnográficos, análises históricas e interdisciplinares que se debrucem sobre controvérsias tecnocientíficas, desigualdades no acesso, processos regulatórios, experimentações clínicas e modos de engajamento de pacientes, coletivos e movimentos sociais. Buscamos, assim, promover diálogos que evidenciem como saberes situados, perspectivas críticas e práticas feministas podem contribuir para repensar a produção de conhecimento e ampliar horizontes ético-políticos diante da crescente medicalização da vida.

 

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